No Brasil, compras governamentais não favorecem uso da computação na nuvem
São vários os passos necessários ao Brasil para viabilizar o desenvolvimento da computação em nuvem no país, na visão do Ministério de Ciência e Tecnologia - que gesta uma política para o setor. Em especial, padronização, marco regulatório, segurança e pesquisa e desenvolvimento.
O primeiro desafio, como coloca o coordenador de software e serviços do MCT, Rafael Moreira, é trabalhar a padronização de forma conjunta entre governo e iniciativa privada. “Essa discussão seria muito bem vinda para se estabelecer a interoperabilidade”, disse ele, ao participar de reunião sobre o tema na Câmara dos Deputados.
Além disso, o país precisa trabalhar uma legislação de proteção de dados pessoais, de forma a dar segurança jurídica tanto para usuários como provedores – e que também toque na questão da privacidade dos dados. Esse, por sinal, foi um ponto amplamente levantado na audiência desta terça-feira, 24/4. Ou seja, qual a soberania sobre dados armazenados em datacenters fora do país.
A questão legal também diz respeito a ajustes necessários no sistema atual de compras governamentais, que não é amigável ao modelo da nuvem. “Hoje o formato causa problemas na contratação de software como serviço, e estamos discutindo isso com a Secretaria de Logística e TI (do Planejamento)”, explicou Moreira.
A segurança ainda causa dúvidas, seja por onde os dados vão trafegar, pelas questões relacionadas à privacidade ou pela segurança tecnológica em si. Como lembra o coordenador de software e serviços do MCT, “ainda há risco para se rodar soluções críticas em nuvem”.
Finalmente, a tradicional dificuldade nacional em qualificação de pessoal é ainda mais clara em um mercado novo. O Brasil ainda tem poucos centros de pesquisa voltados à computação em nuvem – e um baixo volume de recursos humanos capacitados.
Luís Osvaldo Grossmann
Convergência Digital - Hotsite Cloud Computing