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Inovações made in Brasília
Cidade se firma como importante polo de desenvolvimento de soluções em informática e chama a atenção do país com boas ideias
Fernando Braga
17.08.09
Sempre ligada nos últimos lançamentos na área de tecnologia, Brasília começa aos poucos a despontar no cenário nacional, não só como uma cidade que consome com entusiasmo o que há de mais novo no setor, mas como um excelente celeiro de boas ideias no segmento de tecnologia da informação. É cada vez maior o número de pessoas investindo no desenvolvimento de produtos e soluções tipicamente candangos. Isso pode ser explicado pelo número de profissionais que atuam no segmento. De acordo com um estudo feito pela revista Info, em parceria com a empresa de consultoria Taniguti & Associados, o Distrito Federal é o terceiro estado do país com mais vagas para se trabalhar na área (atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro). Com mais gente no setor, a consequência natural é que surjam cada vez mais novidades e boas invenções. Segundo o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o Distrito Federal é o sexto estado com maior número de solicitações de patentes no país. No meio de tanta inovação, o Correio pinçou quatro interessantes soluções que brotaram de pessoas empreendedoras, com mentes criativas, e que levam o selo made in Brasília.
Google das imagens
Da necessidade de procurar uma informação específica em uma pilha enorme de papéis nasceu a ideia do PDFind, um software voltado para a gestão de documentos que possibilita fazer pesquisas de palavras dentro de imagens digitais. Desenvolvido pelo engenheiro de sistemas Roberto Xantre, o programa demorou dois anos e meio para ser concluído. “Criei o software baseado nas dificuldades das pessoas em manipular papéis e seu conteúdo, sabendo que encontrá-los, seja em casa ou no trabalho, é muito difícil”, conta Xantre. Ao lado do sócio, José Eduardo Frota, Xantre fundou a InteliPar (www.intelipar.com.br), uma empresa brasiliense que atua na área de prestação de serviços em TI.
O programa, feito em linguagem Java, reconhece qualquer palavra datilografada ou digitalizada que estiver dentro de uma imagem escaneada, sendo particularmente útil para empresas que lidam com muitos papéis, como as das áreas jurídica, educativa, bancária e contábil, além de cartórios, bibliotecas e outras instituições. “Imagine o trabalho que dá para uma empresa que tem 1 milhão de documentos achar, no meio dessa papelada toda, o número de CPF de um cliente específico?”, questiona Frota.
Depois de escaneados os documentos e convertidos em arquivos do tipo Jpeg ou Tiff, o PDFind faz o reconhecimento do que está por dentro da imagem. Como isso se dá por semelhança óptica, a busca é precisa, seja em documentos escritos em português ou em outros idiomas. “Além de gerar uma economia de espaço físico, uma vez que as corporações não terão que ocupar um lugar para guardar todo o arquivo físico, o programa traz mais agilidade para as empresas”, conta Frota, acrescentando que instituições como OAB e Caesb já fecharam acordos para utilizar o software.
Ocioso e divertido
“Sempre gostei de enviar e-mails para meus amigos com dicas de matérias e vídeos publicados em blogs e todo mundo achava legal. Até que um dia eles me perguntaram por que eu não criava um site reunindo essas dicas. Me pareceu uma boa ideia e, então, bolei o Ocioso”, lembra o analista de sistema Hélmiton Lins, 34 anos, criador de um dos sites mais populares que já emergiu do Planalto Central. De um projeto despretensioso, o site se transformou no queridinho de blogueiros de todo o país.
No ar há nove meses, o site funciona da seguinte maneira. O criador de um blog envia uma sugestão de post para o Ocioso (www.ocioso.com.br), que o avalia e — caso seja aprovado — publica uma indicação de leitura na página principal do site, que reúne o que há de melhor na blogosfera brasileira. Dessa maneira, o usuário consegue, de um jeito simples e democrático, divulgar o seu espaço na web. “Há casos de blogs que passam de 30 para 12 mil acessos por dia depois que figuram no nosso site. Recebo e-mails de muita gente agradecendo a divulgação, que é completamente gratuita”, conta o Lins, orgulhoso do sucesso de sua página, que recebe, em média, 40 mil visitas todos os dias.
Além da página principal — a vitrine onde todos querem estar —, o site tem abas exclusivas para temas específicos, como veículos, humor, curiosidades e games. De olho na visibilidade do internauta, diversas agências de publicidade já procuram explorar o site candango com anúncios. “Passo o dia inteiro selecionando as mais de 700 sugestões de posts que recebo diariamente”, conta.
Presença virtual
Poder fazer uma reunião na empresa com os funcionários espalhados por vários estados do país. A videoconferência já é uma realidade em muitas instituições, agilizando tempo e gerando economia. De olho nessa possibilidade e sabendo que as conferências à distância são uma tendência cada vez mais forte no ramo de comunicações nas corporações, a Optimidia, uma empresas genuinamente candanga que desenvolve soluções de convergência de voz, imagem e dados via IP (protocolo de internet), criou o Astor. “Trata-se de um software de webconference que, além do tradicional áudio e vídeo, permite que os participantes troquem mensagens instantâneas, façam apresentações em slides, realizem enquetes, exibam material multimídia, além de poderem gravar toda a reunião para ser reproduzida posteriormente”, explica o diretor executivo e fundador da empresa, Vinícius Goulart.
Criado há quatro anos, o programa também é utilizado pelas corporações como ferramenta de educação a distância, principalmente para o treinamento e capacitação de funcionários que estão longe da empresa. Utilizado por aproximadamente 50 clientes corporativos (80% deles de Brasília), o Astor é o programa do segmento com o maior número de usuários no mercado — inclusive se comparado a soluções de marcas estrangeiras.
Entre as instituições públicas que usam o software, estão o Ministério do Desenvolvimento Social, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e o Serpro, além de marcas privadas, como Cátedra Concursos e Check Check.
“Com o desenvolvimento da banda larga, a gente nota uma demanda crescente por esse tipo de solução, que possibilita uma comunicação mais eficiente e acelera a tomada de decisão”, afirma a sócia da empresa Mônica Barcellos.
O resultado disso é um crescimento exponencial da empresa brasiliense. “Triplicamos o nosso faturamento em 2008 e, para 2009, a expectativa é de que voltemos a triplicá-lo”, diz, orgulhoso, Goulart. Nada mal para uma empresa encubada, que nasceu dentro do câmpus da UnB e hoje caminha a passos largos.
Aprendizado em duas vias
Desenvolvido para auxiliar todos os envolvidos no processo de aprendizagem, levando em conta as características individuais de cada estudante, o Sistema de Apoio Educacional (SAE), criado pelo professor de ciência da computação da Universidade Católica de Brasília Vandor Roberto Rissoli e aperfeiçoado com alunos do curso, vem se constituindo em uma ferramenta virtual eficaz num novo tipo de ensino, que utiliza cada vez mais as vantagens da TI.
A solução possibilita que os estudantes resolvam exercícios interativos, participem de debates e conversem com professores e monitores em tempo real, tudo num ambiente de colaboração online. No entanto, mais do que fornecer novas opções de aprendizado para o aluno, o sistema permite que os professores — com a ajuda de monitores que sanam dúvidas dos estudantes a distância ou presencialmente — tenham acesso a todo o histórico de desempenho de seus usuários. Dessa forma, ele consegue detectar quais as maiores dificuldades de um aprendiz e lhe orienta na realização de novas ações de estudo.
“O software acompanha as principais mudanças da educação, subsidiando, com recursos tecnológicos, o processo de ensino, centrado na aprendizagem de seus estudantes. A ideia é tratar, justamente, o ponto fraco do aluno”, explica Rissoli. Além disso, no momento em que o aluno utiliza a ferramenta, o sistema reconhece, por meio de um mecanismo de lógica, as suas deficiências e propõe um caminho a ser seguido para sanar as dificuldades. “É muito mais do que simplesmente dizer que o aluno está certo ou errado”, diz, comparando com outras ferramentas disponíveis no mercado.
A aplicação, que pode ser utilizada em diversas áreas do conhecimento, além do mercado corporativo, se encontra em análise no Ministério da Educação e está prestes a se tornar pública e disponível para que instituições de todo o país possam utilizá-la.
Fonte: Correio Braziliense
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