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Empresários alegam que redução de jornada traz perda de competitividade. Trabalhadores contestam
Luís Osvaldo Grossmann
25/08/2009
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Humberto Barbato, acredita que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, prevista na proposta de emenda à Constituição 231, trará - se aprovada - queda na competitividade de produtos brasileiros, especialmente frente a artigos chineses e indianos.
"Creio que hoje os trabalhadores chineses e indianos estariam possivelmente vibrando se soubessem que estamos nessa discussão aqui no plenário do Congresso Nacional, afinal de contas, é notável a presença de produtos chineses e indianos a cada dia mais dentro da economia brasileira", afirmou, durante audiência sobre o tema no plenário da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 25/08.
"Além de uma política cambial que tem favorecido a desindustrialização, infelizmente essa proposta, neste momento, iria agravar ainda mais a nossa competitividade", emendou o presidente da Abinee, entidade que representa o setor eletroeletrônico. Segundo ele “já existem áreas, como a indústria elétrica, por exemplo, nas quais estamos perdendo espaço violentamente para a Índia em função dos baixos encargos que existem naquele país”.
“Não podemos continuar perdendo competitividade. Tem sido notória essa perda. No setor eletroeletrônico, perdemos no nosso faturamento. De 2002 para cá, 25% eram exportações. Hoje elas não representam mais do que 14%”, concluiu Barbato.
Pouco antes dele, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, sustentou que competidores do Brasil têm jornadas maiores que a nacional.
“Podemos verificar aqui que a jornada efetiva na China é muito superior à jornada de 44 horas. A jornada da Coreia do Sul, outro país que também concorre com o Brasil, situa-se em patamares superiores ao nosso. Aqueles que hoje concorrem verdadeiramente com o Brasil têm jornada de trabalho mais elevada do que a jornada média praticada no Brasil”, disse.
As centrais sindicais defenderam a redução da jornada mostrando que, ao contrário dos temores dos empresários, a produtividade aumentou com a redução de 48 para 44 horas semanais, prevista na Constituição de 1988.
“O Brasil teve a oportunidade de reduzir a sua jornada apenas em dois momentos da sua história: em 1943, quando regulamentou a jornada de 8 horas, porque naquele período se trabalhava até 16 horas ou 18 horas por dia; e depois só viemos reduzir jornada em 1988. E de 1988 para cá, a produtividade no Brasil mais que triplicou”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
O presidente da CUT, Artur Henrique Silva, também lembrou que os argumentos dos empresários são os mesmos de 1998. “Há 21 anos alguns diziam que teríamos enormes problemas com a redução da jornada de 48 horas para 44 horas, inclusive sob o ponto de vista da competitividade internacional”, disse, para sustentar em seguida que a produtividade aumentou.
Segundo ele, no entanto, os ganhos de produtividade não foram divididos com os trabalhadores. “A produtividade da indústria de 2003 a 2008, que foi de 18,7%, sendo, no setor de vestuário, 31,5%; no comércio, 20,1%; no setor de calçados, 32%; no setor de papel e gráfica, 24,5%. Esses são os índices de produtividade, não dividida com o conjunto da classe trabalhadora por meio das negociações salariais.”
Fonte: Convergência Digital
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